27 de jan de 2010

Polícia descobre linha de pipa mais cortante que a de CEROL

É a chamada linha chilena, que já provocou acidentes e mortes em vários estados. Oito pessoas envolvidas na venda de material para a fabricação dessas linhas foram presas.


A marca no pescoço do professor Thiago Araújo revela a gravidade do problema. Há três anos ele voltava para casa de moto quando foi atingido pela linha de uma pipa. Um corte tão profundo, que foi preciso uma cirurgia.
“Médicos acharam que seria simples. Na hora que eles foram me suturar, viram que eu tinha rompido um músculo de sustentação do pescoço”, lembra o professor Thiago Araújo.
O corte aconteceu por causa do cerol, uma mistura de cola e vidro moído, usada para que a linha fique afiada, e corte a linha de outras pipas, em uma espécie de competição.

O uso do cerol é proibido por lei em oito estados. Mas a venda continua. Nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, policiais apreenderam litros de cola e milhares de rolos de linha. Oito pessoas foram detidas e serão indiciadas por crime ambiental, que prevê até quatro anos de cadeia para quem usa substâncias nocivas à saúde, como o cerol.

Policiais descobriram que além do pó de vidro os fabricantes usam também óxido de alumínio, que deixa a linha ainda mais perigosa.
Para se ter uma ideia, ela corta facilmente uma pêra que, segundo médicos, tem textura muito parecida com a carne humana.
Imagine o que pode acontecer com uma pessoa, que está em uma moto em movimento.

Centenas de motociclistas morrem no Brasil todos os anos. Apenas na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, foram pelo menos 316 vítimas fatais nos últimos dois anos, segundo as associações de motociclistas dos estados.

No Rio de Janeiro, campanhas tentam evitar acidentes. Antenas como um gancho são distribuídas de graça aos motociclistas.

“Uma parte fica fixa no retrovisor do motociclista, sempre com esta parte onde ocorre o corte de linha de pipa virado para frente, para que ele possa pegar a linha da pipa antes que a linha pegue o motociclista”, explica a assistente social Verônica Lameira.

“Hoje em dia eu não deixo de usar, eu aconselho a todos os motoqueiros. Sempre ando com a minha moto com antena”, diz Thiago Araújo.

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